Segunda-feira, 26 de Maio de 2008
Sexta-feira, 16 de Maio de 2008
Eles são os que caminham ao teu lado, a família que escolheste, junta-se hoje à melhor que podias ter tido. E cada lágrima que limpas hoje no rosto, foi um sorriso de ontem que choras, porque queres que volte.
Domingo, 13 de Abril de 2008
Pediram-me que tentasse escrever algo concreto sobre a viagem que fizemos durante 14 dias. Não é fácil.
Até início de Fevereiro não tínhamos nada previsto. Tinham-se passado as frequências, havia ainda alguns trabalhos para fazer, pouco tempo parecíamos ter para organizar uma viagem de finalistas. Dos oitenta e cinco alunos que ingressam em CC todos os anos, ninguém parecia interessado em pagar 1400€ por uma viagem de 14 dias ao nordeste brasileiro. Nós estávamos. Depois de um fim-de-semana inteiro a contactar agências acabámos por nos decidir pela "pan" e o grupo de Veterinária tinha o programa que mais nos aliciava. Assim foi. 2ªF, 200€. Fim de Fevereiro, restantes 1200. Faltavam por isso duas semanas. Eu tinha tido quase um mês de férias, as primeiras semanas de início de semestre pouco prometem por isso sentia-me ainda e já em total descanso. Estávamos ansiosas, mas pouco falávamos sobre isso (especialmente comparando com o que falamos agora, depois de tudo que se passou). Na véspera foi dia de fazer compras de última hora: protector solar (acima de 25!!), uns topzinhos novos (e que útil foram!), muito creme hidratante. À noite, meia hora bastou para fazer a mala, estávamos tranquilas. Acordámos cedo, o encontro era às 8h no aeroporto, a Marta foi deliciosa e levantou-se de madrugada para nos ir levar. A Sara atrasou-se, fizemos o check-in, e depois de muito fazer rir a malta da TAP com o meu skip (qual é a cena, os bikinis têm de se lavar, não?) em saquinho de cocaína lá passámos sem problemas.
A viagem fez-se bem, sete horas afinal não custam assim tanto no meio de filmes, música, e amigas como as que me acompanharam. A Sara fazia anos neste mesmo primeiro dia de viagem, a nossa prenda foi um simbólico caderno para fazer um diário da viagem – com uma sugestiva lista de “afazeres” no Brasil. Check em quase tudo, faz de nós quem somos, e diferente não se esperava, não é meninas?
Impossível seria agora escrever o que se passou em cada dia que por lá passámos. A partir do momento em que pusemos um pé no Brasil e levámos com o seu bafo de ar quente na cara fizemos um pacto que ninguém verbalizou, mas que cada uma saberia respeitar.
O que acontece no Brasil, fica no Brasil
– salvo algumas raríssimas excepções -. Os sorrisos, as amizades, os sentimentos que de lá trouxemos dificilmente conseguiríamos abafar ou deixar cair em pleno Atlântico, na viagem de regresso. E foi o que fizemos. O que vivemos por lá é nosso, valeu cada cêntimo e bem sabemos a quem devemos agradecer. 5850 KM mudaram mesmo, e nós reconhecemos o que mudou em cada uma. Pretensões à parte, pode mesmo ter sido “a viagem” (das nossas vidas).
Hoje, olhando para trás, parece termos vivido uma realidade que não nos é familiar. Se nada em tudo o que vimos é semelhante ao que vivemos, como poderíamos também nós ser as mesmas? Quem era quando fui, ficou algures enterrado na areia ou perdido naquelas águas mornas. E não duvido que para todos os que partilharam, directa ou indirectamente aquelas duas semanas connosco, conhecem agora duas datações diferentes para as suas
Quarta-feira, 9 de Abril de 2008
Hoje cheguei eu primeiro, e por isso, hoje o objecto eras tu.
Procuraste-me pela casa que já conhecias por me encontrares nela. O meu perfume confundia-te. Estava em mim, em ti, nas coisas. Essas coisas sem dono que moravam comigo não pertenciam a ninguém porque eram nossas e nós eramos algo que nenhum sabia bem o que era.
Mas tu, destemido com rosto quase infantil, procuravas-me sedento do meu beijo que eu hoje queria guardar.
Hoje cheguei eu primeiro. Amanhã talvez chegasses tu, e o jogo não seria o mesmo. Eu perderia a cabeça no teu beijo, perderia a razão com o teu tocar.
Mas hoje cheguei primeiro, e quem manda hoje sou eu.
Segunda-feira, 7 de Abril de 2008
Segunda-feira, 31 de Março de 2008
Quis renascer de novo, conhecer-me. Saber quem sou hoje, depois de ti.
Com o teu primeiro beijo perdi quem era na praia, fui com o mar e interrogo-me se voltarei.
Soube que se perdeu um barco no mar, serei eu?
Soube que o sol te encandeia por vezes quando não estou, serei eu?
Soube que choraste ao ver-me partir, fui eu, não fui?
Apertaste um braço contra o outro, como se comigo, no quarto agora a meia luz, tivesse entrado um frio ao qual não conseguiste escapar.
Eu vinha, lânguida, bruta e fera, como desejavas - bem sabia que só assim me reconhecias. Resisti ao teu beijo, tu quiseste resistir ao meu olhar.
Algures entretanto algo nos escapou. Caímos um sobre o outro.
O teu beijo soou familiar, talvez quisesse que assim fosse, mas foste diferente, soube diferente. A noite deu lugar ao dia e eu não acordei nos teus braços. Os teus lábios não desejavam aos meus "bom dia", a tua mão não tocava a minha pele. Acordara para outro dia diferente, e não sabia o que de ontem acontecera.
Quem eramos nós, hoje, depois do que ontem fomos juntos?
Olhava mas não via, pensava mas não sentia.
Defesa alta, armadura a postos. O amor perfeito soldara-lhe o coração. Estava - achava ela - intransponível.
Chegou o sol, o calor infernal. Tirou as roupas. Olhou em redor, estava só. Entrou nua na piscina. Era forte, ainda, e livre e protegida.
Ele, de mansinho, despido também chegou perto, sussurou palavras que não se repetem e ela desmoronou.
Uma mão no pescoço, um braço rodeou a cintura. Puxou-a para si e disse-lhe baixinho:
"-Hoje és minha."
"Não sou de ninguém,"- pensou. Mas não o disse.
A nudez não lhe cortara as palavras, nem a impelira a fugir.
"-Deixa-me ir", pediu.
"-Tens de ir? Ou queres ir?"
A resposta não saiu. Envergonhada, silenciou-a com um beijo que durou para sempre.
Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008
Mas não.
Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008
Olhaste-me de novo e sem que as pronunciasses senti baterem-me leves na cara as palavras "fica comigo esta noite". Sem que me pedisses, fiquei.
Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007
Aqueci a água e fiz um chá. E eu detesto o sabor do chá.
Sentei-me no sofá que sossega ao lado da janela e fita a rua dia após dia. Partilhei a minha vida com ele.
Senti a tua (e a tua, e a tua, e a tua, e a dela, e a dela, e a dela, e a dela e a deles dois...) falta, mas mais que isso fizeram-me muita falta hoje. O chá quente entrava e puxava lágrimas, que vinham doces e magoadas pelo tempo, pelo espaço que brotara do chão e nos dividira em pequenas ilhas isoladas umas das outras. E o ambiente tornara-se gélido, e o silêncio gritava alto demais para ouvir as vossas vozes e o sofá chorava comigo.
A janela pediu que olhassemos para a rua, vissemos a beleza das folhas amarelecidas pelas primeiras chuvas. Eu guardava tristeza do vento que as deitara abaixo, que despira as árvores e que afastara as pequenas ilhas onde estavam agora os nossos tristes corações.
Pedi apoio à almofada, pedi refúgio ao edredon, pús o mau chá de lado e pus os braços em torno das pernas.
Da paleta de cores que eram as nossas fotos ontem, hoje vejo apenas uma triste escala de cinzentos, sombras de gargalhadas sonoras e felizes.
Lisboa está mais pobre desde que não vos vejo .
Eu estou mais pobre. E os dias que perdemos ontem, e os dias antes desses, e os dias que antecederam os dias antes dos outros já lá vão, diferentes, sofridos, abafados por vidas vividas por viver, sem gosto nem desgosto.
Os dias que o mundo vive hoje estão carentes de nós e o nós muda todos os dias que não partilhamos sorrisos.
Domingo, 18 de Novembro de 2007
Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007
Terça-feira, 29 de Maio de 2007
Palavra difícil essa que teimava em pesar puxando para a certeza da inconcretização.
«Vou amar-te para sempre»
Quarta-feira, 23 de Maio de 2007
Domingo, 6 de Maio de 2007
Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006
Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006
Falaste-me de quando ainda não tinhas alma de pássaro e preferias ficar aqui comigo, pertinho, sem teres de ser constantemente a sombra que pairava sobre o meu espírito atormentado...
Falaste-me dos nossos beijos e do meu cheiro.
Falaste-me de ti, de nós, dos tudos e de nadas.
Falaste-me de como gostavas que tivesse sido, de como fora...
Mas nunca me falaste de como iria ser e isso doeu.
Terça-feira, 28 de Novembro de 2006
Sorriu para ti, o sol saudara as madeixas do seu cabelo na esperança de te chamar à atenção.
Nem assim olhaste.
Nem assim quiseste ver que até o Universo conspirava para que olhasses para ela.
Chegou a casa e quis falar de ti a alguém. Mas como explicar quem eras? E que dizer a teu respeito? A vosso respeito?
Quis escrever sobre ti, mas as palavras ficaram presas pela névoa do seu olhar...
Ela percebera que quando a apanhaste pelas costas, a imobilizaste e lhe sussuraste ao ouvido, não tinha sido mais que um capricho de menino materializado em mãos e postura forte de homem. Querias sentir-te poderoso, como se ela só a ti pertencesse naquele momento porque não podia ser de mais ninguém.
Naquele momento ela fora tua de facto, mas tu acabaste por ser dela em todos os outros momentos que vieram a seguir...
Terça-feira, 24 de Outubro de 2006
Olhava a rua de soslaio, embaciada através do vidro e perguntava-se que seria feito do seu coração.
Estaria algures perdido à chuva, ou estava como ela, recostado num sofá sozinho, sossegado, a pensar nela ou em quem quer que fosse que pertencesse...
Sempre julgou que seriam capazes de superar as suas divergências, que não a deixaria assim desprotegida nesta noite de temporal emocional.
Ela queria saber que independentemente de tudo poderia contar com ele, mas nessa manhã ele partira de mãos dadas com outra que não ela e isso quebrara-lhe.... o quê? A alma? ... Talvez.
Sentia-se só e não gostava, sentia-se algo vazia com imensa gente em seu redor.
Fazia tempo que não experienciara tamanha insegurança e não se reconhecia assim.
Hoje nem o chocolate quente a demovia de uma dolorosa e soturna noite de intempestivo sofrimento.
Sexta-feira, 13 de Outubro de 2006
Quinta-feira, 5 de Outubro de 2006
Esfregou-se com força e chorou por não se reconhecer. A lua que lhe sorrira e lhe confidenciara - num sussurro - que estava a ir bem, deixou-a sozinha com pensamentos intranquilos. Era-lhe difícil explicar e compreender a natureza do sentimento dualista que despoletara aquela crise emocional...
Chega de pensamentos idiotas.
Terça-feira, 3 de Outubro de 2006
Por vezes tentamos ser especiais e perguntamo-nos o que será preciso fazer para se ser considerado especial...
E por mais que queira ir à varanda encher os pulmões de inspiração, esta falha ao chegar à ponta dos dedos, ponte para este espacinho online. A um milímetro do teclado os dedos tremem na certeza que toda e qualquer escrita sobre os especiais vai ficar àquem do que queremos dizer deles. E contudo, antes que nos possamos aperceber, alguém nos diz «Tu também és especial». E eis que nós adormecemos felizes.