Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Hoje tive saudade do que fui quando o teu sorriso era meu.
Tive saudade do que foramos de pele quente e diferente e do brilho enternecedor no olhar.
Tive saudade do sol que nos vigiava o beijo, e da lua que o escondia...
Tive saudade do teu abraço que surgia por detrás, de surpresa, mas era esperado, e eu expectante, de frente para o vento, sentia o teu perfume antes de ele se perder no meu.
Hoje não quis querer voltar atrás. A tua ausência grita por não te ver, eu calo porque não te tenho.
E hoje que a tua falta foi sentida, enterrei os pés na areia, e deixei a água chegar até mim e levar o que de ti trouxe. E quando o sol se deitou sobre o mar, eu sorri.
Já não moras em mim.

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

É dificil escrever sobre sorrisos e lágrimas quando eles foram os teus melhores.
A pessoa que eras mudou.
Aprendeste a ver, viver, conhecer a vida como nunca a sentiras, e eles foram os rostos que tu nunca viras mas aprendeste a amar.
Eles foram a luz, quando te sentias perdido num beco escuro.
Eles foram o grito quando achavas que querias mas não devias ter silêncio.
Eles foram a mão, quando o abismo estava próximo.

Eles são os que caminham ao teu lado, a família que escolheste, junta-se hoje à melhor que podias ter tido. E cada lágrima que limpas hoje no rosto, foi um sorriso de ontem que choras, porque queres que volte.

Domingo, 13 de Abril de 2008

Pediram-me que tentasse escrever algo concreto sobre a viagem que fizemos durante 14 dias. Não é fácil.


Até início de Fevereiro não tínhamos nada previsto. Tinham-se passado as frequências, havia ainda alguns trabalhos para fazer, pouco tempo parecíamos ter para organizar uma viagem de finalistas. Dos oitenta e cinco alunos que ingressam em CC todos os anos, ninguém parecia interessado em pagar 1400€ por uma viagem de 14 dias ao nordeste brasileiro. Nós estávamos. Depois de um fim-de-semana inteiro a contactar agências acabámos por nos decidir pela "pan" e o grupo de Veterinária tinha o programa que mais nos aliciava. Assim foi. 2ªF, 200€. Fim de Fevereiro, restantes 1200. Faltavam por isso duas semanas. Eu tinha tido quase um mês de férias, as primeiras semanas de início de semestre pouco prometem por isso sentia-me ainda e já em total descanso. Estávamos ansiosas, mas pouco falávamos sobre isso (especialmente comparando com o que falamos agora, depois de tudo que se passou). Na véspera foi dia de fazer compras de última hora: protector solar (acima de 25!!), uns topzinhos novos (e que útil foram!), muito creme hidratante. À noite, meia hora bastou para fazer a mala, estávamos tranquilas. Acordámos cedo, o encontro era às 8h no aeroporto, a Marta foi deliciosa e levantou-se de madrugada para nos ir levar. A Sara atrasou-se, fizemos o check-in, e depois de muito fazer rir a malta da TAP com o meu skip (qual é a cena, os bikinis têm de se lavar, não?) em saquinho de cocaína lá passámos sem problemas.
A viagem fez-se bem, sete horas afinal não custam assim tanto no meio de filmes, música, e amigas como as que me acompanharam. A Sara fazia anos neste mesmo primeiro dia de viagem, a nossa prenda foi um simbólico caderno para fazer um diário da viagem – com uma sugestiva lista de “afazeres” no Brasil. Check em quase tudo, faz de nós quem somos, e diferente não se esperava, não é meninas?



Impossível seria agora escrever o que se passou em cada dia que por lá passámos. A partir do momento em que pusemos um pé no Brasil e levámos com o seu bafo de ar quente na cara fizemos um pacto que ninguém verbalizou, mas que cada uma saberia respeitar.


O que acontece no Brasil, fica no Brasil


– salvo algumas raríssimas excepções -. Os sorrisos, as amizades, os sentimentos que de lá trouxemos dificilmente conseguiríamos abafar ou deixar cair em pleno Atlântico, na viagem de regresso. E foi o que fizemos. O que vivemos por lá é nosso, valeu cada cêntimo e bem sabemos a quem devemos agradecer. 5850 KM mudaram mesmo, e nós reconhecemos o que mudou em cada uma. Pretensões à parte, pode mesmo ter sido “a viagem” (das nossas vidas).
Hoje, olhando para trás, parece termos vivido uma realidade que não nos é familiar. Se nada em tudo o que vimos é semelhante ao que vivemos, como poderíamos também nós ser as mesmas? Quem era quando fui, ficou algures enterrado na areia ou perdido naquelas águas mornas. E não duvido que para todos os que partilharam, directa ou indirectamente aquelas duas semanas connosco, conhecem agora duas datações diferentes para as suas vidas: AB e DB...


Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Hoje preciso que cales a tua voz muda em mim.
Preciso de não te ver, não sentir o cheiro que a minha pele arrancou da tua, julgando que era sua.
Preciso de te ver longe, sim, apartado da pessoa que sou depois do nosso encontro salgado, fugidio.
Preciso que me grites que estás perto para que eu, confiante, te possa afastar em sôfrego cansaço, te possa dizer "não".
Hoje preciso que silencies o que de ti vive em mim, para que possa habitar quem sou, de novo. Preciso que devolvas o eu de mim, minha muralha, meu ser.
Devolve-me o grito e as palavras que muda não disse quando voltaste as costas e mudo te quedaste.
Devolve-me. Mas cala a voz muda que nada fez para que ficasse.
Hoje cheguei eu primeiro. Puxei o lenço que trouxera no pescoço e vendei-te os olhos. Querias chegar até mim, mas eu recuava a cada nova investida.
Hoje cheguei eu primeiro, e por isso, hoje o objecto eras tu.
Procuraste-me pela casa que já conhecias por me encontrares nela. O meu perfume confundia-te. Estava em mim, em ti, nas coisas. Essas coisas sem dono que moravam comigo não pertenciam a ninguém porque eram nossas e nós eramos algo que nenhum sabia bem o que era.
Mas tu, destemido com rosto quase infantil, procuravas-me sedento do meu beijo que eu hoje queria guardar.

Hoje cheguei eu primeiro. Amanhã talvez chegasses tu, e o jogo não seria o mesmo. Eu perderia a cabeça no teu beijo, perderia a razão com o teu tocar.
Mas hoje cheguei primeiro, e quem manda hoje sou eu.

Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Era um daqueles dias.
Acordara com um sorriso nos lábios mas uma lágrima a querer rolar-me pelo rosto.
Acordar agridoce, pensei.
Foras meu a noite passada, quando depois do pôr-do-sol de um dia que parecia não querer acabar, te trouxe comigo para casa.
Sentias-te confortável no meu espaço, em mim. Eu não. Sentia que ocupavas já espaço a mais, precisava de mim, sóbria de novo, menos atabalhoada de um sentimento que desconhecia até agora.
Mas tu beijavas-me e eu queria-te bem, assim, a afagar-me o cabelo aclarado do sol, como quem dá carinho pela ponta dos dedos.
Mas partias sempre, a cada nova e cinzenta manhã, deixando um rasto de um perfume só teu que não parecia querer partir contigo.
E ele ficava em mim, nas minhas coisas, no que de tão meu já era um pouco teu também...
O sorriso uns dias ficava, outros partia contigo. Queria gritar que não te queria assim tanto, mas o meu sorriso era teu já e as palavras não saiam.
E ias ficando uma e outra noite, sem que falassemos no que eramos depois de uma e outra manhã...

Segunda-feira, 31 de Março de 2008

Hoje quis beijar-te. Quis conhecer-te de novo, voltar atrás.
Quis fugir, quis interromper-te a fala, o andar, o sono com um abraço que não pudemos repetir.
Quis renascer de novo, conhecer-me. Saber quem sou hoje, depois de ti.
Com o teu primeiro beijo perdi quem era na praia, fui com o mar e interrogo-me se voltarei.
Soube que se perdeu um barco no mar, serei eu?
Soube que o sol te encandeia por vezes quando não estou, serei eu?
Soube que choraste ao ver-me partir, fui eu, não fui?
Então, hoje, que tanto sei, deixa-me dizer-te: dá-me um nome novo, um nome teu, pois hoje que tudo sei, deixei de saber quem sou.

Apertaste um braço contra o outro, como se comigo, no quarto agora a meia luz, tivesse entrado um frio ao qual não conseguiste escapar.
Eu vinha, lânguida, bruta e fera, como desejavas - bem sabia que só assim me reconhecias. Resisti ao teu beijo, tu quiseste resistir ao meu olhar.
Algures entretanto algo nos escapou. Caímos um sobre o outro.
O teu beijo soou familiar, talvez quisesse que assim fosse, mas foste diferente, soube diferente. A noite deu lugar ao dia e eu não acordei nos teus braços. Os teus lábios não desejavam aos meus "bom dia", a tua mão não tocava a minha pele. Acordara para outro dia diferente, e não sabia o que de ontem acontecera.

Quem eramos nós, hoje, depois do que ontem fomos juntos?

Olhava mas não via, pensava mas não sentia.
Defesa alta, armadura a postos. O amor perfeito soldara-lhe o coração. Estava - achava ela - intransponível.
Chegou o sol, o calor infernal. Tirou as roupas. Olhou em redor, estava só. Entrou nua na piscina. Era forte, ainda, e livre e protegida.
Ele, de mansinho, despido também chegou perto, sussurou palavras que não se repetem e ela desmoronou.
Uma mão no pescoço, um braço rodeou a cintura. Puxou-a para si e disse-lhe baixinho:
"-Hoje és minha."
"Não sou de ninguém,"- pensou. Mas não o disse.
A nudez não lhe cortara as palavras, nem a impelira a fugir.
"-Deixa-me ir", pediu.
"-Tens de ir? Ou queres ir?"

A resposta não saiu. Envergonhada, silenciou-a com um beijo que durou para sempre.

Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

Chegou de lágrimas quentes a ferirem-lhe o rosto, quando saiu do escuro de uma noite fria.
Pedira o céu, mas ele caiu-lhe em cima, redondo e pesado. Ela caiu também e deixou-se ficar, de mãos na cabeça, sentada num canto onde o céu não chegasse para ela o carregar.
E assim ficou, noite dentro, a que pedira que fosse perfeita, e tivesse o céu e as estrelas e os sorrisos. E assim ficou, como se o tempo tivesse parado e o mundo estivesse sem céu e as estrelas tivessem rebentado todas e a escuridão fosse total. E assim ficou, cansada e perdida, agora de mãos a tapar o rosto, mas os dedos não chegavam para conter as lágrimas, agora frias, a marcar-lhe o rosto de tristeza que já não ia conseguir apagar. E assim ficou, como um relógio parado, e uma casa sem tecto e um mundo sem céu.
Achamos que o tempo pára quando estamos tristes.
Mas não.

Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Hoje precisei que me abraçasses forte. Não oiço a tua voz faz dias, fazes-me falta assim tão ausente. Quanto te vi de novo sorri sincero. Fixei o teu rosto e não ousei retirar o meu olhar do teu, não queria perder nada de ti, nenhum centímetro de rosto bonito, crescido, mudado. Tu fizeste o mesmo, eu continuava miúda pequena de sorriso rasgado, o mesmo de há uma semana, o mesmo de há 20 anos. Fechei os olhos e beijaste-me, como se fosse de novo a primeira vez. Um olhar insuspeito por detrás de uma franja demasiado comprida fez-te abrir os olhos, sentiste o meu olhar penetrar o teu como quem pede algo que sente que não pode dar. Cedi ao teu abraço, senti que guardavas o mundo dentro de ti e o mundo sentia-se bem na quente envolvência do teu corpo e deixei-me ficar.
Olhaste-me de novo e sem que as pronunciasses senti baterem-me leves na cara as palavras "fica comigo esta noite". Sem que me pedisses, fiquei.

Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007


Aqueci a água e fiz um chá. E eu detesto o sabor do chá.
Sentei-me no sofá que sossega ao lado da janela e fita a rua dia após dia. Partilhei a minha vida com ele.
Senti a tua (e a tua, e a tua, e a tua, e a dela, e a dela, e a dela, e a dela e a deles dois...) falta, mas mais que isso fizeram-me muita falta hoje. O chá quente entrava e puxava lágrimas, que vinham doces e magoadas pelo tempo, pelo espaço que brotara do chão e nos dividira em pequenas ilhas isoladas umas das outras. E o ambiente tornara-se gélido, e o silêncio gritava alto demais para ouvir as vossas vozes e o sofá chorava comigo.
A janela pediu que olhassemos para a rua, vissemos a beleza das folhas amarelecidas pelas primeiras chuvas. Eu guardava tristeza do vento que as deitara abaixo, que despira as árvores e que afastara as pequenas ilhas onde estavam agora os nossos tristes corações.
Pedi apoio à almofada, pedi refúgio ao edredon, pús o mau chá de lado e pus os braços em torno das pernas.
Da paleta de cores que eram as nossas fotos ontem, hoje vejo apenas uma triste escala de cinzentos, sombras de gargalhadas sonoras e felizes.
Lisboa está mais pobre desde que não vos vejo .
Eu estou mais pobre. E os dias que perdemos ontem, e os dias antes desses, e os dias que antecederam os dias antes dos outros já lá vão, diferentes, sofridos, abafados por vidas vividas por viver, sem gosto nem desgosto.
Os dias que o mundo vive hoje estão carentes de nós e o nós muda todos os dias que não partilhamos sorrisos.

Domingo, 18 de Novembro de 2007

Bati-te no peito com os punhos fechados e lutei contra a maré que parecia levar-me para o caminho que sempre evitara. As questões ecoavam na minha mente e as respostas quase surgiam e eu sabia que eras tu.
Mas hoje o tu parecia não chegar...
Sabia que eras tudo, e mesmo assim não eras a resposta que eu procurava. Eras a que tinha, e isso pareceu suficiente todos os dias que acordava com uma mensagem tua.
Até hoje, que quis mais e gritei mais alto.
Até hoje, que não quis olhar-te nos olhos, olhei-te no peito e fugi da dor que vinha de dentro e brotava quente dos teus olhos.
Até hoje, que terminei aquilo que começámos juntos.
E o hoje que começara ontem foi diferente de todos os outros. Que fazer ao tempo que era, agora, só meu?

Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Hoje fui menina de novo.
Quis a segurança da posição fetal, quis deitar-me por cima da tua barriga e esperar que me afagasses o cabelo desgrenhado.
Quis que o tempo voltasse atrás e quis esconder-me do mundo.
Quis adormecer sossegada, arrumada, quis não ter de escrever sobre ti, porque doem-me as palavras.
Quis não ser quem sou pois sei que me dou. E dói dar demais...
Quis muito e quis em excesso e hoje deitei-me assim, choro de crescida em rosto sofrido de menina pequena em busca de um mimo que não veio de ti.
Quis odiar-te, era tão fácil não te querer. Mas não consegui não pensar em ti.
Só me consegui despir, deitar e esperar que a nova lua cheia levasse o sentimento de tristeza em mim.

Terça-feira, 29 de Maio de 2007

Sempre.
Palavra difícil essa que teimava em pesar puxando para a certeza da inconcretização.
«Vou amar-te para sempre»
Não querias dizê-la porque temias a sua temível consequência. Eu arriscava escreve-la, sublinha-la, enchê-la de pontos de exclamação. Não deixava espaço para vírgulas [nada se acrescenta ao sempre!] ou reticências.
Rejeitei o ponto de interrogação [como duvidar de amor eterno?].
Não era fácil, não era cómodo.
Senti-me incongruente, incompreensível por dizer sempre e frisar que dizer sempre não custava, era fácil como sempre fora...
Eu sabia o que era o sempre porque sonhara com ele. Tu estavas lá comigo, nós juntos. Queria sentir o sempre dentro de nós, ou fora, a rodear-nos...
Receei que o sempre partisse, mas ele foi ficando.
O sempre era cada novo dia, em cada sorriso teu.
Enquanto tu fosses tu, e eu fosse aquilo que sempre fui, o sempre eramos nós.
E isso sempre bastou.

Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

Amanhã vou querer ter-vos lá por casa. Vou querer que partilhem as histórias, saibam de mim, deixem saber de vós.Vou querer ouvir o eco das vossas gargalhadas eclodir pelo meu corredor por decorar e um rasto de bolachas da sala à cozinha. Vou querer almofadas espalhadas pelo chão e um copo partido a lamentar... Vou querer que ele esteja a meu lado e me beije a testa [é sinal de respeito] e afague o cabelo por pentear. Vou querer férias juntos e saídas e jantares, não precisamos beber, só estar.
Quis muita coisa ontem, disseram-me que queria demais.
Hoje sei, vale a pena querer demais, porque o demais quando vem na vossa forma, é avassalador e arrebata, vira o coração do avesso e reveste-o de uma película securizante.
Ahhh, gosto de vós. Já gostava ontem e nem vos conhecia. Hoje que conheço, sei que quero que sejam e estejam no meu amanhã.

Domingo, 6 de Maio de 2007

Sei que não tenho escrito.
Não é que me tenha esquecido, ou não queira partilhar.
É só que não sei que dizer quando estou feliz...

Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006

A noite caiu, o frio adensou-se e ela sentenciou:
«Hoje percebi que o meu fascínio por ti deriva do facto do que me fez apaixonar se manter, e tudo aquilo que eu sonhei para ti, foi aquilo em que te tornaste...»

Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006

Hoje pediste-me que me sentasse ao teu colo e contaste-me histórias de ontem ao ouvido.
Falaste-me de quando ainda não tinhas alma de pássaro e preferias ficar aqui comigo, pertinho, sem teres de ser constantemente a sombra que pairava sobre o meu espírito atormentado...
Falaste-me dos nossos beijos e do meu cheiro.
Falaste-me de ti, de nós, dos tudos e de nadas.
Falaste-me de como gostavas que tivesse sido, de como fora...

Mas nunca me falaste de como iria ser e isso doeu.

Terça-feira, 28 de Novembro de 2006

Hoje ela olhou-te de soslaio por cima do ombro esperando que surgisses atrás de si...
Sorriu para ti, o sol saudara as madeixas do seu cabelo na esperança de te chamar à atenção.
Nem assim olhaste.
Nem assim quiseste ver que até o Universo conspirava para que olhasses para ela.
Chegou a casa e quis falar de ti a alguém. Mas como explicar quem eras? E que dizer a teu respeito? A vosso respeito?
Quis escrever sobre ti, mas as palavras ficaram presas pela névoa do seu olhar...

Ela percebera que quando a apanhaste pelas costas, a imobilizaste e lhe sussuraste ao ouvido, não tinha sido mais que um capricho de menino materializado em mãos e postura forte de homem. Querias sentir-te poderoso, como se ela só a ti pertencesse naquele momento porque não podia ser de mais ninguém.
Naquele momento ela fora tua de facto, mas tu acabaste por ser dela em todos os outros momentos que vieram a seguir...

Terça-feira, 24 de Outubro de 2006

Enquanto chovia e trovejava lá fora, ela recostava-se e deliciava-se com o seu favoritíssimo chocolate quente.
Olhava a rua de soslaio, embaciada através do vidro e perguntava-se que seria feito do seu coração.
Estaria algures perdido à chuva, ou estava como ela, recostado num sofá sozinho, sossegado, a pensar nela ou em quem quer que fosse que pertencesse...
Sempre julgou que seriam capazes de superar as suas divergências, que não a deixaria assim desprotegida nesta noite de temporal emocional.
Ela queria saber que independentemente de tudo poderia contar com ele, mas nessa manhã ele partira de mãos dadas com outra que não ela e isso quebrara-lhe.... o quê? A alma? ... Talvez.
Sentia-se só e não gostava, sentia-se algo vazia com imensa gente em seu redor.
Fazia tempo que não experienciara tamanha insegurança e não se reconhecia assim.
Hoje nem o chocolate quente a demovia de uma dolorosa e soturna noite de intempestivo sofrimento.

Sexta-feira, 13 de Outubro de 2006

«Autch, I have lost myself again.»

Quinta-feira, 5 de Outubro de 2006

E ela disse que não sabia se queria que a noite acabasse já ou durasse para sempre.....
Chegada a casa, deixou-se cair na banheira, prostrada, e esperou que a água levasse consigo a dor que a lua trouxera. Sentira-se estranha e desprotegida. Sentiu que os olhos, as mãos, a alma fugiam do seu controlo e era assustador ver-se assim...
Sorrira sempre mas sabia que mentia. A si e aos outros.

Esfregou-se com força e chorou por não se reconhecer. A lua que lhe sorrira e lhe confidenciara - num sussurro - que estava a ir bem, deixou-a sozinha com pensamentos intranquilos. Era-lhe difícil explicar e compreender a natureza do sentimento dualista que despoletara aquela crise emocional...
Não iria alimentar o que quer que fosse, não iria pensar mais nisso. Ia apanhar os cacos de recordações de uma noite doentia e voltaria a ser o que sempre foi. Não mais esta noite a iria assombrar...

Chega de pensamentos idiotas.

Terça-feira, 3 de Outubro de 2006

Conheço pessoas que nos fazem sentir bem.
Conheço pessoas que são diferentes de todos as outras, e que embora sejam diferentes por serem tão especiais, nós desejavamos que houvessem mais pessoas iguais a elas para que este mundo fosse um grande e especial mundo cheio de coisas e pessoas especiais.
Existem aquelas pessoas que de tão especiais que são, tentam oferecer-nos um pouco da sua magia. Pessoas que nos ensinam a pensar em coisas que, sozinhos, nunca nos teria ocorrido.
Existem outras que nos fazem sentir coisas que nunca haviamos sentido antes, fazem-nos viver momentos bonitos em que por vezes até receamos explodir de tanta alegria e realização.

Por vezes tentamos ser especiais e perguntamo-nos o que será preciso fazer para se ser considerado especial...
Mas este rótulo, por mais limitativo que seja, é um daqueles dos quais não nos fartamos.
Alguém especial está perto quando todos os outros se esbatem ao longe, como se uma neblina nos passasse em frente dos olhos e deixassemos de discernir com clareza.
Alguém especial dá-nos a chave de um mundo novo e diferente, e ensina que trilhos a seguir.
Alguém especial empresta-nos um livro, o seu livro mais querido, e enquanto se torce toda para que o devolvamos tal qual nos foi dado - nem uminha só dobra na lombada - sorri e diz-nos para aproveitamos a leitura, pois o livro é «especial».
Alguém especial é difícil de encontrar e difícil de manter.
E por mais que queira ir à varanda encher os pulmões de inspiração, esta falha ao chegar à ponta dos dedos, ponte para este espacinho online. A um milímetro do teclado os dedos tremem na certeza que toda e qualquer escrita sobre os especiais vai ficar àquem do que queremos dizer deles. E contudo, antes que nos possamos aperceber, alguém nos diz «Tu também és especial». E eis que nós adormecemos felizes.
(A todas as pessoas que na minha vida são e se tornaram especiais *.)

Terça-feira, 19 de Setembro de 2006

E o sol volta a esconder-se por detrás das palhotas...
Os raios estão fragilizados, perderam a força por se verem sozinhos no vasto areal.
Os corpos despidos cobrem-se agora de roupa e preocupação... Novas responsabilidades se avizinham e gritam que estão a chegar.
Até para o ano Sol de Verão...